Como você se vira quando está sozinho com o filho no restaurante de comida a quilo?

Vamos conversar sobre a dinâmica familiar em um restaurante de comida a quilo? 

Outro dia estava eu em um restaurante desses, no café da manhã de um domingo, quando chegou uma família composta por pai, mãe, filho de 4 anos e filha de 2. A mãe acomodou os filhos na mesa e o pai dirigiu-se ao balcão de comidas para fazer os pratos de todos. De vez em quando ele gritava de lá alguma pergunta para a mulher:  – Queijo prato ou de Minas? 

A questão aqui é que precisamos criar nossos filhos para eles poderem enfrentar diversas circunstâncias.

Daí fiquei pensando como seria se ele estivesse sozinho com esses dois filhos pequenos e me deu vontade de escrever sobre esse assunto.


Se não fazemos isso, nossa vida pode ficar bastante limitada pelas barreiras que eles levantam ao enfrentar situações novas. 

Em um restaurante a quilo, há opções a se fazer e isso pode ser bem difícil para uma criança pequena. Uma sequência de ações interessante seria:  

Reprodução NYT: Small Plates By Jeffrey Blitz for The New York Times | Oct. 10, 2014 | 7:03

Reprodução NYT: Small Plates By Jeffrey Blitz for The New York Times | Oct. 10, 2014 | 7:03


1. ao chegar, escolher uma mesa e sentar com as crianças; 

2. explicar para elas o tipo de restaurante em que estão, qual a refeição que vão fazer e pedir que antecipem o que podem encontrar para aquela refeição (sendo café da manhã, por exemplo, não deverá haver bife e batata frita);

Reprodução Internet

Reprodução Internet

3. procurar entender as expectativas que eles têm e ajustá-las às regras da família quanto a refeições (por exemplo, lembrar que, no café da manhã, cada um tem que escolher uma fruta, um tipo de pão e um tipo de queijo);  

4. prepará-los para a possibilidade de não encontrar a opção desejada e pensar em alternativas;  

5. finalmente, dirigir-se ao balcão com as crianças, ir fazendo o prato de cada uma e curtindo com elas o fato de terem acertado os “chutes” sobre o que encontrariam.  

Apesar de parecerem muitas etapas, dá para cobrir todas elas bem rapidinho! ;) 

 

Reprodução ecomammy.co

Reprodução ecomammy.co

O importante é que essa sequência de ações respeita a criança porque lhe dá tempo para entender a situação em que se encontra (um café da manhã com muitas opções, mas com algumas regras de escolha) e participar ativamente das decisões. Ao mesmo tempo, respeita os demais clientes do restaurante, que não vão ouvir birras indesejadas nem ficar na fila esperando indefinidamente que as crianças façam suas escolhas no balcão de comidas. 

 

Nos vemos em breve! 

Heloisa 

Lidar com as birras do filho em público sem se aborrecer

Birra em público é uma situação embaraçosa para muitos pais de crianças, porque elas fazem coisas que incomodam as pessoas. Costuma ser uma choradeira ou gritaria em voz alta, geralmente acompanhada por um jogar-se ao chão ou até mesmo bater e chutar os pais. Tudo isso tendo várias pessoas como testemunhas e juízes. #ninguemmerece

birra

Os pais não sabem o que fazer. Pensam em usar alguma força pra conter a ira do filho ou até mesmo retirá-lo do ambiente e desistir do programa, já que nada funcionou.  

Se estressam, se sentem envergonhados, perdidos e não sabem a quem devem responsabilizar... Será que já nasceu assim? Puxou a alguém da família? Está copiando o que viu na web?  

O que os pais precisam saber é que eles próprios são parte do problema e, portanto, da solução. 

Vamos começar entendendo melhor como os filhos funcionam em seu início de vida? 

Crianças são seres intensos. Ficam intensamente alegres com muita facilidade. Uma única criança é capaz de alegrar um ambiente cheio de adultos! Mas, se acontece algum problema, podem passar para o outro extremo com a maior rapidez e facilidade. Pode ser um ataque de fúria porque outra criança pegou seu brinquedo, ou de ciúme porque o pai ou mãe dedicou atenção ao irmão, ou de descontrole total porque o restaurante não tem a comida que esperavam encontrar.  

 “Um bom começo é nomear para o filho o sentimento ou sensação que percebemos que ele está enfrentando”.

Talvez você até já tenha passado por uma situação em que pensou que alguém maltratava uma criança que estava aos berros, mas o que de fato acontecia era que o sorvete da criança tinha caído no chão e os pais não tinham dinheiro pra comprar outro naquele momento. 

O que tudo isso indica é que temos que ensinar às nossas crianças a lidar com a frustração. Um bom começo é nomear para o filho o sentimento ou sensação que percebemos que ele está enfrentando. Ciúme, medo, tristeza, raiva, irritação, fome, cansaço – todos esses estados de desconforto podem gerar uma resposta explosiva de birra. E quanto mais frequentemente conversarmos sobre isso com as crianças, melhor elas aprenderão a reconhecer cada um desses desconfortos e a lidar diferenciadamente com eles. 

Observando atentamente o filho, é possível perceber que situações disparam nele as reações que expressam desconforto. Se você já descobriu que ele sente medo do escuro, prepare-o para enfrentar o escuro aos poucos. Invente brincadeiras na penumbra, em que a família caminhe pela sala onde há vários objetos pelo chão e quando alguém esbarrar em algum, deve adivinhar que objeto é esse usando apenas o tato. Brincar de sombras na parede também é uma boa ideia. 

Se a questão é ciúme do irmão, explique que vai dar atenção ao irmão agora e não a ele, mas que, depois, será o contrário. Mostre bastante determinação ao explicar isso e, se houver choro e birra, retire-o do ambiente, explicando, com calma e firmeza que daqui a pouco irá ver se já passou o “chororô”. Quando ele se acalmar, é hora de abraços e beijos e de explicar o que aconteceu, nomeando o sentimento: ciúme. 

Ao lidar com raiva e irritação alguns aspectos são comuns à situação de ciúme: ser firme, nomear o sentimento, afastar a criança do convívio com o resto da família se ela se mostrar incapaz de conversar e de compreender explicações naquele momento, ser calmo e consistente. E não esquecer dos abraços e beijos depois que a calmaria voltar! 

Se é tristeza pela perda de um brinquedo que alguém quebrou ou pelo cancelamento de um programa que ele queria muito que acontecesse, reconheça e nomeie o sentimento e explique que juntos irão encontrar uma solução.

Fome e cansaço são bastante previsíveis. Os pais logo aprendem a perceber os sinais de que o filho está começando a chegar perto do seu limite. Não é nada aconselhável deixar que chegue a esse limite e é razoavelmente simples tomar alguma medida para reverter esse quadro. E é bom envolver o filho nessa percepção de que a fome e o cansaço estão chegando e que algo precisa ser feito antes que dê confusão.

Espero que tenha ficado claro que não devemos trabalhar para eliminar nenhuma emoção ou sensação da vida de uma criança, aliás, de ninguém, porque isso só trará mais mal-estar ainda. O trabalho é de apresentar os filhos às emoções e ensiná-los a lidar com elas.

A outra linha de ação a ser tomada é a preparação da criança para se comportar em público. É muito importante explicar para os filhos o que vai acontecer: que programa vai acontecer e que ações eles podem e não podem fazer. Se for uma cerimônia religiosa de casamento, eles devem ser avisados de que não se pode correr naquele ambiente, nem falar alto. Juntos, decidam o que eles podem levar para ficar fazendo, quietos, sem perturbar as pessoas. Se a família estiver indo a um restaurante, que lhes seja explicado como devem se comportar nesse ambiente, o que eles podem esperar encontrar como comida e qual o “Plano B”, caso seu alimento preferido esteja em falta etc. Se o programa de hoje é fazer compras no mercado, que fique claríssimo o que eles podem decidir comprar ou não, quem poderá ou não empurrar o carrinho etc. 

Em todas essas circunstâncias, papo reto! Converse sobre as consequências de os filhos não cumprirem o que tiver sido combinado previamente. Quanto mais a punição for diretamente relacionada ao que tiver acontecido, maior será o grau e a qualidade de aprendizagem para os seus filhos. Por exemplo: se fizer birra no restaurante, vai ter como punição ficar sem usar o celular ou tablet? Acontece que essas duas coisas não guardam a menor relação entre si, e, portanto, a punição não ajuda os filhos a construírem uma relação saudável com os pais. Mais valeria explicar que da próxima vez que a família sair para passear, o filho birrento não poderá ir porque não está sabendo se comportar em lugar público.

Resumindo: o seu filho não é birrento; ele está se mostrando birrento em certas circunstâncias e cabe aos pais descobrir a causa de desconforto que dispara esse tipo indesejado de comportamento e ajudá-lo, com firmeza e orientação, como lidar com o desconforto.

Se você gostou desse artigo, compartilhe com pessoas que possam aproveitá-lo também. Acompanhe-nos no Facebook e assine nosso canal no Youtube. 

 

 


Heloisa Padilha é pedagoga e psicopedagoga, empreendedora de projetos inovadores em educação e tem focado sua atenção em orientação às famílias.

Comunicação entre pais e filhos: eles “só vão bem conversados”

É bem possível que você já tenha reparado que, dependendo de como lhe pedem as coisas, você tende a atender o pedido feito. Compare essas duas falas: 

FALA 1 – Ei, você aí, me passa o sal! 

FALA 2 – Com licença, poderia me passar o sal, por favor? 

A maneira como nos pedem as coisas faz toda a diferença: a FALA 2 nos deixa mais inclinados a passar o sal, não é mesmo? 

Com nossos filhos não é diferente! Qual dessas duas falas levará o seu filho a fazer o que você lhe pede? 

FALA 1 – ANDA LOGO, VAI ARRUMAR O SEU QUARTO, QUE EU NÃO SOU SUA BABÁ, OUVIU BEM? JÁ ESTOU CANSADA DE FAZER TUDO POR VOCÊ! QUANDO É QUE VOCÊ VAI APRENDER, EIN? 

FALA 2 – Filho, vem cá, que eu quero te pedir uma coisa. Senta aqui comigo. Olha, eu estou cansadíssima e preciso de você para dividir comigo as tarefas da casa. Dá pra você arrumar o seu quarto? 

Pois é, se você anda querendo que seu filho mude de comportamento, pode ser que você precise modificar a sua forma de se comunicar com ele. Assim como nós, os filhos “só vão bem conversados”, isto é, tendem a nos atender no contexto de uma boa conversa, em que são ouvidos e tratados com respeito. 

Há maneiras que atrapalham e outras que ajudam a comunicação entre pais e filhos.  

Quando a atitude dos pais é a de considerar que o problema está apenas no filho, isso se expressa na comunicação sob a forma de acusações, sermões (monólogos) ou ordem atrás de ordem. E o tom da fala dos pais tende a expressar irritação, impaciência e crítica. Os filhos podem reagir com indiferença (“entra por um ouvido e sai pelo outro”) ou com igual irritação e impaciência.  

Quando os pais conseguem ver a si próprios como parte do problema, começam a fazer parte da solução também. Isso vai aparecer na comunicação com os filhos sob a forma de diálogo, de expressão de sentimentos e expectativas. O tom de voz é mais baixo e conciliatório. Filhos criados com diálogo tendem a crescer com confiança em si e nos pais. 

Esse é um dos assuntos que a LM Família aborda com muita frequência porque a comunicação entre pais e filhos é essencial para um convívio familiar harmonioso, responsável e divertido. 

Se você quer aprofundar esse tema, clique aqui para baixar um infográfico exclusivo com as formas que ajudam e que atrapalham a comunicação entre pais e filhos.

Acompanhe-nos no Facebook e assine nosso canal no Youtube.

 

 

 

Heloisa Padilha é pedagoga e psicopedagoga, empreendedora de projetos inovadores em educação e tem focado sua atenção em orientação às famílias.